Videntes

Videntes

Deve ter sido por volta das cinco horas da tarde quando foi vista pela primeira vez, em cima do Podbordo, que significa “ao pé do monte”: um pedregal íngrime, de difícil acesso pela forma em que estão dispostas suas pedras, de arestas cortantes como facas e serpentes venenosas por toda parte do verão. Como aquele dia era festivo, Ivanka Ivancovic, nascida em 21 de junho de 1966, e sua amiga Mirjana Dragicevic, filha de Jozo, que a viu nascer no dia 18 de março de 1965, saíram para passear como costumavam fazer. Tinham combinado ir buscar, depois do almoço, a outra amiga, Vicka Ivancovic nascida em 3 de setembro de 1964. Vicka pensava em tirar uma soneca, mas quando suas duas amigas apareceram convidamdo-a para sair, disse-lhes que iria com elas, que as alcançaria no caminho. Por isso Ivanka e Mirjana foram as primeiras que viram a Virgem Maria. Embora ainda estivessem vendo a certa distância, Ivanka logo a identificou, enquanto sua amiga duvidou por um instante: “que nada! você acha que a Nossa Senhora ia aparecer exatamente para nós?”, respondeu Mirjana. Voltaram para buscar Vicka. Ao entrarem na aldeia, Ivanka e Mirjana encontraram com outra amiga, Milka Pavlovic, que pediu ajuda para tirar as ovelhas da família do curral. Nesse momento, viram novamente a Virgem sobre o Podbordo. Para Milka, que a via pela primeira vez, seria também a última – seus pais não permitiram que retornasse a ver a Virgem. Neste momento da visão, Vicka juntou-se ao grupo. Vicka faz o seguinte relato na entrevista com o padre Janko Bubalo: Fui andando por aí e encontrei-as, e à pequena Milka, filha de Felipe. Todas as três olhavam fixamente alguma coisa e pareciam estar assustadas. Acenaram para que me aproximasse. Eu me apressei… Vicka ia pensando, que coisa estranha poderia encantá-las ao ponto de ficarem desse jeito. As três disseram-lhe em uníssono: “Vicka!, olhe lá a Virgem!” Ao ouvir isso e ver, tirou os chinelos e correu em direção às casas. Quando alcançou o limite do povoado, Vicka estava chorando. Foi encontrada nesse estado por outro dos rapazes, Ivan Dragicevic, filho de Stanko e nascido em 25 de maio de 1965, que ia com outro amigo carregando um punhado de maçãs. Vicka contou tudo e pediu-lhe que vosse com ela até onde estava suas amigas, que tinham ficado para trás vendo a gospa. Ao encontrá-las de novo, a Virgem ainda estava ali, e nesta ocaião foi Ivan quem saiu em disparada, jogando as maçãs no chão e pulando uma cerca. Desta vez, Vicka ficou. Era “uma moça maravilhosa, com um menino nos braços, a quem cobria e descobria constantemente. Ela acenava, afirma Vicka, para que a gente se aproximasse”. Naquele primeiro dia, eles mantiveram a distância. Os jovens não se aproximaram, mas cantaram algumas canções que sabiam. E foram embora quando a Virgem deixou de ser visível, depois de cinco ou seis minutos. No povoado muitos acreditaram logo, outros, levaram na galhofa, e alguém disse até que tinham visto um “disco voador”. foram deitar relativamente cedo, visto que no dia seguinte deviam ir colher tabaco, que é cultivado na região, e levar os animais para pastarem. Não dava mais para esquecer aquilo. Ivanka, Mirjana e Vicka combinaram de ir no dia seguinte ao Podbordo na mesma hora e ver se, mais uma vez, teriam um encontro com a senhora do Céu. E o tiveram. Mias ou menos à mesma hora, daquele 25 de junho de 1981 surgiu uma luz e, atravessando-a, como se saísse dela, apareceu a Virgem. Desta vez não trazia o Menino. No entando, elas não se aproximaram imediatamente, porque Vicka prometera a outros dois amigos da aldeia avisar caso ela se apresentasse de novo. Foi então buscar Marija Pavlovic, filha de Felipe, que veio ao mundo em 10 de abril de 1965, e foi também atrás do menor de todos, Jacob Colo, filho de Ante, nascido em 6 de maio de 1971, todos os cinco estavam juntos. Também estava com eles Ivan Ivanovic, que devido a sua idade, não era companheiro habitual do grupo. Ficou assim constituido o primeiro grupo de seis, aos quais a Virgem falaria permanentemente.

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